Resenha: Assim Falava Zaratustra

Assim Falava Zaratustra.

Comprei-o sem realizar uma prévia pesquisa acerca de qual editora seria a mais indicada, todavia, acredito que este exemplar, da Editora Vozes, me caiu muito bem devido às suas notas de rodapé que, mais do que nunca, foram bem-vindas, afinal Assim Falava Zaratustra não é um livro de bolso, ao contrário, é bastante denso.

Não sou conhecedora do universo de Nietzsche e este foi o meu primeiro contato com a sua obra, efetivamente, pois apenas conhecia alguns dos conceitos mais recorrentes; desta forma, movida pela curiosidade, alcancei o fruto de um intenso e elaborado trabalho; que, por sinal, muitos estudiosos o recomendam como uma espécie de última leitura, depois de nos familiarizarmos com os seus termos e ideias (dispostos em outras publicações como, Crepúsculo dos ídolos, Além do Bem e do Mal, Ecce Homo, Genealogia da Moral, Gaia Ciência), mas, enfim, fui intuitivamente conduzida e tratei de buscar outras referências para melhor compreendê-lo.

Lançado em 1883, o livro é dividido em quatro partes e todo ele composto pelos discursos de Zaratustra; Nietzsche nos insere na sua senda pelo “Além Homem” por meio de uma linguagem poética, repleta de simbolismos, de interações ora com a filosofia pré-socrática e ora, também flertando, com o Budismo, além de ser recheada por aforismas (máximas, sentenças breves que anunciam princípios, pensamentos).

“Quem com sangue e em máximas escreve não quer ser lido, mas guardado de memória” (2008, p. 59).

 

Mas, afinal, quem é ou o que vem a ser este “Além Homem”? Por que esta busca incessante? De acordo com o filósofo e tradutor Mário F. dos Santos, “o Além Homem é o tipo que alcança o mais alto acabamento. É a plenitude do ser homem, o homem humanamente acabado, completo” (2008, p.21).

O Além Homem viria a ser o produto da evolução do homem, não um homem com poderes, mas sim um homem que não está preso aos preceitos religiosos, éticos e sociais preestabelecidos.

Conforme citei, o livro é recheado de notas, entretanto, faz-se necessário mais que isso, o que me fez perceber a falta que faz ter um arcabouço filosófico para dar cabo de certas leituras com mais facilidade; e não basta estar prenhe de vontade, é preciso buscar o bêabá do começo, ou seja, os principais aspectos/ideias abordados por Nietzsche para que a leitura, de fato, faça sentido.

De forma estritamente sucinta, eis alguns deles:


Niilismo – parte do pressuposto que os valores, crenças e princípios tradicionais (quer sejam eles religiosos, políticos ou sociais) turvam a visão do homem, limitando-o e, por fixar-se nesta visão de mundo, nega-se a terra e as suas pulsões, as energias vitais, as sensações e os corpos.

“Em nome de Deus nega-se a terra”.


A morte de Deus – denuncia o fim de uma forma de pensar pautada na estrutura religiosa do pensamento, assim, com a morte de Deus, morrem também todas as utopias.


Mundo da vida – diz respeito à energia que incide nos corpos viventes, também conhecida por vontade de potência.


Além Homem – a superação do homem além daquilo que conhecemos tal qual ele fora produzido; a possibilidade de encarar a vida sem a necessidade das muletas metafísicas (religião, moral, etc.).


Genealogia – busca saber a origem do pensamento em você; a consciência é a parte mais ínfima da psique, portanto, existe uma força que produz o pensamento, “algo pensa em mim”.


Eterno Retorno – apresentado por dois princípios básicos como a finitude das forças e a eternidade do tempo.


Assim Falava Zaratustra

Sob o meu ponto de vista a leitura é recomendada SIM, conquanto você faça o mesmo percurso, ou até outros mais, que eu fiz para suprir a lacuna anterior. Se eu buscarei as demais leituras? Sem sombra de dúvidas!!! Eu gostei do livro e embora em alguns momentos não concordasse com certos aspectos, a leitura serve para isso, para despertar a sua criticidade à respeito do mundo e também a compreensão dos fatos, pessoas e comportamentos.

Ressalto, apenas, que é preciso ter cuidado com certas abordagens que encontramos na world wide web acerca de Nietzsche. Para muitos ele fora um cético e pessimista sem precedentes, para outros um arauto dos novos tempos. O que quero mostrar é que, independente da forma em que se encontrem os rótulos, é super importante que você analise a figura do homem, em qual época ele viveu, quais foram os seus grandes percalços e traumas, pois nada e nem ninguém é tão superficial que não mereça um adensamento de ideias. Confesso, sim, que em vários trechos ele me pareceu um tanto misógeno em relação às mulheres, mas nada que a sua história pessoal não me pudesse prevenir acerca disso e também nada que me pudesse preconceituá-lo (sim, grafei propositadamente) ao ponto de não mais seguir com a leitura de sua obra, portanto, abrir os horizontes é fundamental!

* NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra. Rio de Janeiro: Vozes, 2008, 7.ª edição.

https://www.youtube.com/watch?v=wszgKT2zS-c

https://www.youtube.com/watch?v=NVMjJWekoIk

https://www.youtube.com/watch?v=KI20SoJDKog

Outras referências: Periódico da UNIFESP

http://www.cadernosnietzsche.unifesp.br/home/item/165-as-andan%C3%A7as-do-homem-superior-em-nietzsche

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6 comentários sobre “Resenha: Assim Falava Zaratustra

  1. Nietzsche, meu ídolo e meu ódio, além do bem e do mal
    nas artes, o mestre de meus mestres da expressão agonica revolta_ expressionismo germânico; Hermann Nitsch…..

    trechos adoro, outros temo,
    só pôde fazer o que fez, pelo profundo conhecimento da bíblia, de cristo; mesmo invertido

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  2. Nietzsche, meu amor e meu ódio, meu amor e meu temor
    indiferente, impossível; como ser indiferente frente a uma bomba?

    Nietzsche, a base de meus mestres âgonicos revoltos_ expressionismo germânico; hermann nitsch

    prefiro o ex-mestre pai dele: Richard Wagner, o pessimista schopenhauriano da redenção_ cuja lado sombrio real cotidiano: antissemita influenciou o nazismo- abomino

    Curtido por 1 pessoa

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