Sandalhadas…

Ao acordar, foi escovar os dentes e percebeu que havia uma barata, virada de pernas pro ar, na parte do box. Olhou pra ela e pensou, acordei tão bem, tão em paz que não quero carregar o peso de começar o dia como uma assassina de baratas, então, deixou-a no local. Seguiu com a rotina, tomou seu café da manhã e quando foi tomar banho, deparou-se novamente com a criatura. À princípio, optou apenas por arrastá-la para o extremo oposto do box, apesar de sentir a frustrante sensação de estar postergando um problema para depois. Assim, fez o planejado, entretanto, quando a arrastou, a criaturinha acabou por virar-se e saiu correndo, desesperada, fazendo valer seu último fôlego, sua última chance de sair ilesa. Neste momento não restou-lhe outra alternativa a não ser dar-lhe umas boas sandalhadas e acabar, de vez, com o problema. Recolheu o cadáver, seguiu com o banho, continuou com o andamento do seu dia e acabou esquecendo do ocorrido. Teve uma manhã odiosa e uma tarde péssima, tanto que saiu mais cedo da sua atividade. Ao chegar em casa, sentindo os efeitos da alteração do humor e dos hormônios, lembrou-se da barata e sentiu que, de forma análoga, havia recebido as suas “sandalhadas”. Sentiu o sarcasmo da mensagem. Deu-se conta de que fluíra da alegria e diplomacia à uma fúria e desgostos profundos. Sentiu o gosto e o travo da ironia no ar…

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3 comentários sobre “Sandalhadas…

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