Mr. Nobody

Aaaaaaaaaaai, as palavras, o quanto me fisgam, me inebriam, me entorpecem, me distraem… Lê-las, ouvi-las, mostrá-las, encontrá-las, decifrá-las, tanto faz, só quero tê-las por perto… Todavia, confesso que sinto um enorme prazer em ouvir; a coisa se configura como uma espécie de momento de revelação, um momento onde o outro se doa e você recebe e vice-versa; um momento de perscrutar, de distinguir algo novo ou, simplesmente, de apreciar o que já se conhece, afinal, que graça teria a vida se não fossem as trocas? Que graça teria a vida se continuássemos a enclausurar o conhecimento?


Acho tão interessante perceber os tons de voz, as manias, as vibrações, os gestos, os silêncios, os vícios, a timidez, o prazer, o temor, a comunhão, o descompasso, a sagacidade, a energia, a intensidade, a vazão, a respiração, tsc, tsc, tsc… Okay, beleza, mas e o que tudo isso tem a ver com teoria do caos, efeito borboleta, entropia, superstição das pombas (behavioristas que me perdoem, mas tenho cá as minhas rusgas com Skinner), Big Bang, Big Crunch, Mr. Nobody?

Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens


O filme larga no teu colo um caleidoscópio com imagens, bastante, acuradas e em meio a uma zona de significados, com direito a se perder na não-linearidade e de se encontrar no caos. Bom… Eu brinquei de garimpar/sorver “palavrinhas” e de me colocar na posição proposta pelo Jaco Van Dormael, sem pré-julgamentos e sem pedras. E digo que foi bacana porque você percebe que pode ter uma experiência altamente prazerosa bastando, apenas, se permitir pensar, para além do óbvio, sobre a vida, sobre as possibilidades, sobre as escolhas, e com o bônus de não se apegar a conceitos de certo ou errado. Em meio ao banquete poético, filosófico, existencial, que pode parecer mais do mesmo pra muita gente, você ainda tem a oportunidade de comparar as estações e as figurinhas, sim porque tem uma porrada delas.

Aaah, já ia me esquecendo, as “palavrinhas” de Nemo Nobody (que não são tão voláteis quanto se pensa e nem tão discutidas como deveriam ser), transcrevo-as aqui, sem máculas e sem paráfrases, sei lá, vai que despertam outras, e talvez novas, sensações, rsrsrrsrs…


“O que havia antes do Big Bang? Bem, não havia um antes. Porque antes do Big Bang, o tempo não existia. O tempo é resultado da expansão do universo. Mas o que acontece quando o universo pára de se expandir e o movimento é reverso? Qual será o tempo natural? Se a Teoria das Cordas está correta e o universo possui nove dimensões espaciais e uma dimensão temporal, então podemos imaginar que no começo todas as dimensões estavam embaralhadas e durante o Big Bang, três dimensões espaciais, as que conhecemos como alta, baixa e morte, e uma dimensão temporal que sabemos que é o tempo, implodiria. As outras seis permanecem juntas. Se vivemos num universo com tantas dimensões, como podemos fazer a distinção entre ilusão e realidade? O tempo, como conhecemos, é a dimensão que vivemos, em apenas uma direção. Mas se as outras dimensões não forem espaciais, mas temporais? Não podemos voltar, por isso é difícil fazer escolhas. É preciso fazer a escolha certa. Enquanto não se escolhe, tudo permanece possível”.
[…]
“O que acontece quando nos apaixonamos? Como resultado de certos estímulos, o hipotálamo libera poderosas cargas de endorfina. Mas porque exatamente aquela mulher ou aquele homem? Será que há liberação de muitos feromônios que correspondem ou que se completam geneticamente? Ou há características físicas que reconhecemos? Os olhos da mãe, um cheiro que estimula uma lembrança feliz… O amor é parte do plano? Um vasto plano entre duas pessoas para a reprodução. As bactérias e vírus são organismos assexuados, em cada divisão celular, em cada multiplicação, eles mutam e se aperfeiçoam, muito mais rápido que nós. Contra isso temos a mais poderosa arma: sexo. Dois indivíduos misturando os genes, embaralhando as cartas e criando um indivíduo que resista melhor aos vírus, quanto mais similar ele ou ela sejam. Somos participantes desavisados numa guerra entre dois modos de reprodução?”
[…]
“Em que extensão o medo nasce dentro de nós? Quando chocamos ovos de ganso na incubadora, e acima dos pássaros bebê passa uma forma, simulando o vôo dos gansos, os pássaros esticam seus pescoços e os chamam. Mas se invertermos a direção da simulação, a forma fica como a de um falcão, e a resposta dos pássaros recém-nascidos é imediata, ficam temerosos, mesmo sem nunca terem visto um falcão. Sem nenhuma instrução, o medo inato os ajuda a sobreviver. Mas em humanos, para antigos perigos, talvez o nosso interior corresponda”.
[…]
“Porque a fumaça nunca retorna para o cigarro? Porque as moléculas se separam? Porque uma gota de tinta derramada nunca se reforma? Porque o universo movimenta-se para um estágio de dissipação. Esse é o princípio da entropia, a tendência do universo de desenvolver-se para outro estado de crescente desordem. O princípio da entropia está relacionado com a flecha do tempo, resultando da expansão do universo. Mas o que acontecerá quando as forças gravitacionais não puderem equilibrar as forças de expansão? Ou se a energia do vazio quântico se provar muito fraca? Nesse momento o universo pode enfrentar contrações, o Big Crunch. Então, o que se tornaria o tempo? Tudo se reverteria? Ninguém sabe a resposta”.

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10 comentários sobre “Mr. Nobody

  1. Assisti esse filme sexta-feira passada junto com meu namorado (via Skype), achei um filme bem confuso (no bom sentido da palavra), mais ainda assim incrível (e o Jared também, rs). É incrível como certos filmes te fazem pensar e ultimamente esses são os meus favoritos. Esse filme rendeu uma boa discussão sobre futuro, planos e escolhas.
    Muito, muito bom.

    Beijinhos.

    Curtido por 2 pessoas

      1. Exatamente. Até chega o momento que começamos a nos perguntar e se eu tivesse feito isso, ou aquilo? Minha vida estaria melhor? Ou pior? Eu tenho a mania de dizer que eu tomei as decisões que deveria ter tomado, mas a verdade é que eu nunca saberei. Ou apenas não há um padrão… sei lá, já tô começando a ficar pensativa. ahahaha

        Curtido por 1 pessoa

        1. Lembra muito Efeito Borboleta, né? Só sei, em meio à pluralidade, ao universo de possibilidades, temos que fazer escolhas, e é melhor pensar que estamos indo pelo caminho mais interessante (certo e errado pode ter muitas conotações) para que consigamos manter o prumo. Mas, que é uma viagem louca pensar nisso tudo, aaaah isso é, rsrrsrsr… Beijoca

          Curtido por 2 pessoas

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