Recomendo – Cem Anos de Solidão

“Mas desde a tarde em que chamou os meninos para ajudá-lo a desempacotar as coisas do laboratório, dedicou a eles suas melhores horas. No quartinho afastado, cujas paredes foram se enchendo pouco a pouco de mapas inverossímeis e gráficos fabulosos, ensinou-os a ler e a escrever e a fazer contas, e falou a eles das maravilhas do mundo não apenas até onde iam seus conhecimentos, mas forçando a extremos incríveis os limites de sua imaginação. Foi assim que os meninos acabaram aprendendo que no extremo meridional da África havia homens tão inteligentes e pacíficos que sua única distração era sentar e pensar, e que era possível atravessar a pé o mar Egeu saltando de ilha em ilha até o porto de Salônica. Aquelas sessões alucinantes ficaram de tal modo impressas na memória dos meninos que, muitos anos mais tarde, um segundo antes que o oficial dos exércitos regulares desse a ordem de fogo ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía tornou a viver a tarde morna de março em que seu pai interrompeu a lição de física e ficou fascinado, com a mão no ar e os olhos imóveis, ouvindo à distância os pífanos e tambores e pandeiros dos ciganos que uma vez mais chegavam à aldeia, apregoando o último e assombroso descobrimento dos sábios de Mênfis” (MARQUEZ, 2014, p. 22-23).

Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez

Conheci em 2014 e, apesar de não ter tempo para resenhá-lo no momento, trago a indicação porque é uma leitura suuuuuuper prazerosa. E, convenhamos, o universo particular de José Arcádio Buendía, Úrsula Iguarán, filhos, netos, bisnetos e cia limitada, misericórdia, é um prato onde comem duas dúzias ou mais, rsrrsrsr… Ou seja, dá pra fazer das férias um banquete e regalar-se até dizer “chega”!!!

Não poderia me furtar de citar a minha personagem mais querida – Úrsula Iguarán. Como se não bastasse a lucidez caralhuda, a diaba ainda é dotada de um vigor e intuição inquebrantáveis. Como não amar Úrsula Iguarán?

Como não amaaaaaar?

 

* MARQUEZ, Gabriel Garcia. Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: Record, 2014, 85ª edição.

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7 comentários sobre “Recomendo – Cem Anos de Solidão

  1. Nada a ver meu comentário, mas vou fazer. hahahaha
    Quando morei em Barcelona, tive de falar o nome desse livro, em espanhol, of course, e eu me aventurei com um Cien años de “solidón”.
    Todos na roda começaram a rir. rsrs
    – Brasileño tonto! Es “soledad” que se dice! hahahaha
    Minha cara queimou de “vershgonha”! rsrs

    Curtido por 1 pessoa

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