Caminhos…

Dreams

Dia desses, na verdade, um dia desses de 2012, estava eu numa aula de filosofia e com a cabeça atulhada de pensamentos. Não havia como prestar atenção, não havia como estar ali porque não era só questão de juízo, era questão de alma, então, sai da sala e fui pro ponto de ônibus. Tava puta mesmo com a vida, farta. Inquirindo Deus por tudo, mas sem compreender nada, comunicação unilateral, pois estava congestionada.

No ponto, enquanto o ônibus não chegava e a minha paciência estourava e fuzilava qualquer um por meio do olhar, eis que me deparo com a seguinte cena: um louco, para o carro bruscamente numa via de tráfego ligeiramente intenso (leia-se 15 h, numa mão única); os dois carros de trás pararam também bruscamente, por sorte não colidiram, e os ônibus continuaram a passar pela direita. Esse “louco” sai do carro deixando a porta aberta e corre no meio da rua. Eu penso, “puta merda, lá vem confusão, a energia tá pesada” e continuo puta.

O cara atravessa a rua, pega um cadeirante que tentava passar e ajuda-o a atravessar as duas pistas. Depois volta, passa pelo segundo carro e pede desculpa; passa pelo primeiro carro e pede desculpa. Entra no carro e segue seu caminho.

Não chorei nem sei porque, mas fiquei sufocada. Tive que parar de reclamar e agradecer. Deus me pregou uma peça bonitinha. Me deu um cala-te boca e me fez refletir sobre a vida. Zilhões de vezes a gente espera demais, acredita demais e sonha de menos. Distribui e divide de menos.

Hoje, 2016, tive uma tarde bacana, vi mais uma apresentação da OSBA juntamente com duas amigas “antigas” (tô chamando ninguém de velha aqui, viu Dona Cris? Viu Dona Belle?) e duas “novas” (também não tô chamando ninguém de nova aqui, viu Lus? Sim, era uma Lu e outra Lu. Cabá não quer enlouquecer uzoto!). Me senti feliz. Lembrei como é bom criar menos expectativas e ser surpreendida com mais positividade.

Invariavelmente, lembrei que já sofri e fiz sofrer, já perdi sonhos e fiz perderem também. Já fui ferida e feri. Lembrei o que é sentir-se rasgada em toda a extensão do peito e verter, verter dor, sangue, suor e lágrimas. Dói pra caralho. Demora. Você pensa que passou, mas vira um buraco negro latente e vai te molestar sempre que estiveres vulnerável. Mas, também te lembrará que na vida existem, sempre, várias escolhas. Cada ação levará a uma reação, portanto, é bom praticar boas ações para colher as melhores reações (consequências? Que seja!!). É egoísta? Também! Mas, é máter também, é macro e é nós.

Estimular um sonho, emitir palavras que agreguem por acreditar no peso de cada uma, ser verdadeiro, se esforçar pra ser mais leve… Sabe aquele cara acima? Orei por ele. Agradeci por ele ter passado no meu caminho e na vida do cadeirante. Eu precisava dele, mesmo sem nunca tê-lo visto. Eu precisava daquela ação pra voltar a acreditar, pra voltar à magia que é viver. Pra voltar a acreditar que um corpo pode ser só mais um corpo ou o templo da sua alma.

Resgatar uma alma não deve ser lá flor que se cheire. Dá trabalho. Dá tanto trabalho que às vezes você fica puto de só de olhar a leveza de algumas pessoas e não entender porque aquilo ainda não chegou pra você. Mas aí a gente lembra, porra, tenho amigas que, mesmo eu sendo uma hobbit chata, insistem em mim, acreditam em mim e me impulsionam porque me querem ver feliz. Tenho mãe e pai que, milhares de vezes não enxergando resultado nas minhas escolhas, continuam a me apoiar. Tenho primas e tias que “me amam mais” mesmo sabendo que é mentira, pois quem ama mais sou eu porque tenho mais cabelo cacheado na cabeça (e pronto e acabou :P). Poxa, é tanta coisa…

2015 me fez chorar. Deu ruim mesmo e olhe que eu me esforcei. Mas, também já tive outros anos ruins e cheguei até aqui , se tudo acontece para você se reavaliar e escolher melhor na próxima vez, então simbora aprender com as lições e dar  corda na brincadeira da vida, até porque, se a graça está em percorrer os caminhos, rapaz, sinal de que o trem tá andando, pois tenho é visto coisa nesses caminhos depois que perdi a pressa e entendi que o tempo é questão de alinhar mente e espírito (pode ser “questão de ser” também, como diz o poeta, você escolhe), tudo certo na hora certa, nem um segundo está à toa.

Enxergar o valor do amor só faz valorizar o peso dos sonhos. E nada mais no mundo, ou na galáxia, compensa a menor dor que você possa causar ao outro, até porque isso volta, meu querido. Volta de com força, como se diz aqui na Bahia. Então, presta atenção na sua consciência, nas suas dores, no que você somatiza no corpo, no que você atrai, em quem insiste em você, em quem te apoia, em quem te quer bem e multiplica. Não, não precisa ser falso e nem se prestar a insistir em alguém com quem já sabe que o teu “santo não bate”, mas deixar seguir na paz também agrega, e para ambos.

Arrancar um sorriso de alguém compensa pra caramba. Receber um abraço solidário fortalece que dá medo, e o mais engraçado, cria uma memória atemporal incrível, tu vira elefante, talvez um gato, enfim, tu vai ficar viciado na energia boa circulante (talvez se lamente por não ser um anjo e por não poder realizar mais sonhos das pessoas) e ficar mais forte pra encarar as ondas da vida, tu não pensou que as tsunamis iriam parar só porque escolheu mudar o olhar, né?

Dreams..

Bom, acho que deu. E se foi demais, a culpa é do, é que, ahhhhhh… É que hoje os “caminhos” foram orquestrados de felicidade, aí transbordei, rsrsrsrs…

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6 comentários sobre “Caminhos…

  1. Resolvi te ler antes do trabalho. Parece que Deus gosta de pegadinhas. Nas duas partes, você foi um guia sábio. Primeiro, pela lição que emocionou. Segundo pelas conclusões que chegou a partir delas. Uma grande semana e grato, muito grato

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  2. Me emocionei em cada linha e me vi em muitas delas, pois é sofrido, pesado, leve, forte, fraco, determinado, desacreditado e tantas outras coisas nos nossos “caminhos” e se não fosse as pessoas, sejam boas ou ruins, os anjos de luz que Deus coloca para seguirmos, acreditarmos, percebermos, que cada história é única e que o mais lindo de tudo isso são as lições que aprendemos no CAMINHO…

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  3. eta lindeza de amiga, sua história bate com a minha 🙂

    a cena do louco bondoso adorei, bem a tocar fundo n’alma. todavia temos momentos de reclamação e revide, nossa imperfeição manifesta.

    no meu caso, há momentos a lamentar a solidão nascida dos atos orgulhosos violentos verbais contra o próximo e a si, só que em outros, lembro do compromisso espiritual de caridade espiritual, a graça da vida, de ter méritos por ter a maravilhosa mãe que tenho, de poder exercer a mediunidade para o bem maior, de resgate dos irmãos da esfera espiritual inconscientes do amor de Deus e de seus- ai eu me alegro….

    de seu anão chato….

    uma vez fiz uma postagem no facebook, na qual misturei tolkien com doutrina espírita, sendo cada raça de lá, um estágio da evolução do espírito. o anão seria o primeiro estágio do despertar a luz. antes do despertar, em revolta estacionária a Deus, estaria os Orcs. Junto com os anões os humanos. A seguir os hobbits. e por último o mais purificado estaria os magos e os elfos.

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    1. Muita boa a sua alusão à Tolkien.
      E a vida é assim, né? Por vezes somos tão pequeninos e perdidos, noutras tantas nos deparamos com as descobertas diárias e possibilidades de evolução. A vida, realmente, é uma caixinha de surpresas.
      Beijocona, amigo!!

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