Resenha: O Ponto de Mutação

O Ponto de Mutação.

Ainda que os cientistas consigam desbravar o cérebro humano chegando ao ponto de rastrear a origem dos pensamentos, ainda assim, existirá a intuição. Nada contra quem faz pouco caso ou desconsidera, mas para mim – Elaine – ela funciona como uma bússola e foi seguindo seu rastro que alcancei o Fritjof. Um lance curiooso em meio a tudo isto é a necessidade, vigorosa, de uso do bom e velho clichê “tudo ao seu tempo”… “Tudo ao seu tempo” porque, na verdade, lembro de um período em que via um exemplar, do meu antigo chefe, perambulando pelas prateleiras do consultório em que trabalhava e não dava bola; entretanto, quando assisti ao filme, em 2008, comecei a transar suas ideias, e, em 2011, enquanto cursava um componente de Psicologia do Desenvolvimento Humano, lembro de me haver identificado bastante, mas somente agora surgiu a oportunidade no tempo-espaço para que estreitássemos o tete-a-tete, então…

Continuar lendo Resenha: O Ponto de Mutação

Anúncios

Vozes

Gosto de ouvir as vozes das pessoas.

Algumas me apaixonam, outras me enternecem, algumas me causam profunda repulsa, outras me excitam, algumas me esvaziam, outras são tão vaidosas e entediantes… Outras, curioosamente, não parecem sair do corpo que lhes habita e isso é tão inesperado.

Algumas vozes reverberam no inconsciente sem serem chamadas, outras são tão fortes quanto o sol, até parece que as trombetas da solenidade lhes algema o calcanhar; algumas são melodiosas feito a lua, outras brilham, furiosamente, feito as estrelas e só desejo que não se apaguem nunca.

Algumas vozes te inspiram tanta confiança que desbravar o mundo parece ser a coisa mais simples por acontecer, outras nos levam para o além-mundo, para o mundo dos seus dias, dos seus dias distantes…

Continuar lendo Vozes

Insensatez

Nas tuas retas formas

Minhas tortas linhas não se encaixam

Tentam se ajustar

Caem

E, ainda que te admire

Fujo, me abrigo nos braços da solidão

Pois tua sensibilidade é fria e dura

Arremedo de doçura

Me remete às dores e traumas do passado

E eu

Prefiro alimentar o buraco negro diariamente

Suportando a infâmia da latência

A enfrentar sua insurreição

Seria brutal demais

Te liberto de mim, do meu brincar de existir

E me liberto da ilusão de te esperar

 

Resenha: O Jogo da Amarelinha

O Jogo da Amarelinha.

Dia desses lembrei de um jogo ao qual fui apresentada enquanto estava na sétima série, o Tangram. Joguinho simples, composto por sete peças de madeira e que lhe permite criar coisas incríveis, bastando apenas abusar da criatividade. Beleza! Acabei por esquecê-lo em seguida, mas tempo vai, tempo vem, marco com minha prima no shopping e nos encontramos na Saraiva. Assim que olho a primeira tenda de lançamentos, eis que, curioosamente, me deparo com uma caixa de Tangram. Fiquei com aquela sensação gostosa da surpresa, apesar de um tanto acabrunhada com o número de peças – 72. É, né?, se tudo evolui, porque não aumentar o conteúdo da caixa?

Noutro dia desses, fiquei com a proposta do Glauber Rocha no juízo “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Não, eu não quero filmar nada, cada qual no seu cada qual, mas senti vontade de suscitar o jogo e o cineasta para alcançar o Julio Cortázar no sentido de que, partindo do simples que lhe rodeia, coisas fantásticas podem surgir; claro, nem sempre algo incrível para alguns (como, por exemplo, os encantos absurdos da simplicidade ou a beleza incandescente do comum, do cotidiano, do despercebido) será compreendido igualmente por outros, mas só o fato de todos eles existirem já faz com que mais e mais luz se mantenha firme e imponente diante dos buracos negros vários que insistem em sugar estrelas, planetas e galáxias.

Continuar lendo Resenha: O Jogo da Amarelinha