Resenha: O processo

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– Como um cão – disse K.

Era como se a vergonha devesse sobreviver a ele (p. 228).

Isso me remete ao fragmento de uma conversa que tive com uma prima e que, à época, estagiava num abatedouro. Ela dizia: “os bois, quando seguem para o abate, sabem o que está para acontecer; eles seguem firmes e no seu olhar se enxerga uma tal dignidade que não dá pra ficar encarando”.

Assim sendo, diria que K. estava mais prum Nelore do que prum cão, pois os cães, até o último momento, seguem com os humanos acreditando que receberão algum carinho, alguma recompensa, mas esse gado que vai pro abate, nesse tipo de situação, segue altaneiro e resignado, tal qual K. o fez.

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Resenha: A Montanha Mágica

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Era manhã de natal de 2015 quando entrei no site da Cultura para comprar o livro, pois somente eles ofereciam a edição portuguesa, ademais, em todos os outros cantos o livro A Montanha Mágica encontrava-se esgotado. Chegou no dia 04/02/2016, faltando poucos dias para o meu aniversário, todavia, o semestre letivo também estava por começar, então, – JURO! – não arrisquei iniciar para ficar com o gostinho na boca e depois ser obrigada a parar. Não gosto de ler dessa forma. Esperei até 26/11/2016 e, quando estava prestes a subir a montanha, eis que um componente curricular deixava de ter sua inserção na grade letiva de 2017 para ser ofertado como curso de férias em pleno dezembro. Mais uma vez adiávamos o intento.

Um ano depois do nosso flerte, no dia 26/12/2016, pós regresso de viagem do Natal, foi que, finalmente, pude transar as ideias do Mann e conhecer a gangue da montanha, rsrsrrsrs… E foi assim que deu-se a minha saga do tempo em relação ao encontro com Hans Castorp, Joachim ZiemBen, Settembrini, Naphta, Ferge, Wehsal, Madame Chauchat e Peeperkorn, os 7 amigos de passeio, ao longo dos 7 anos de estadia, do nosso querido Hans, no Berghof, passando pelas 7 mesas da sala de jantar, e, enquanto conduzia-nos pelas suas mais inefáveis experiências no interior do quarto de número 34, ou seja, uma derivação do 7.

Escrever sobre este livro é um desafio vulgar e fugaz, pois somente a insolência poderia permitir, dadas as circunstâncias, tal empreitada dando-me condições de não levar tal tarefa tão à sério – pois nos é crível a incapacidade de fazê-lo com o devido zelo e esmero que o autor merece – e realizando-a, tão somente, com singeleza e carinho, com um franco enternecimento, como, aliás, é bastante comum à todos aqueles que dele se aproximam. Assim sendo, sigamos!!

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