Resenha: Fatos e falácias da economia

fatos e falácias da economia

O que você tende a fazer quando é confrontado por ideias diferentes das suas? Consegue ir até ao fim da conversa, da leitura, do vídeo ou o que quer que seja ou simplesmente aciona as suas versões Talião, justiceiro, vingador e cai pra cima? Você consegue equilibrar a balança antes de emitir um depoimento que considere justo, mesmo que seja à respeito daqueles pontos-de-vista que te incomodam e que consideras discrepante?

Pois é, mais do que nunca o exercício da reflexão se faz necessário… Mas, calma aí Elaine, por que “mais do que nunca”, afinal os tempos nunca foram fáceis, a história revela que em todas as suas fases sempre houve os milhares de juízes postos e depostos, juízes em todo canto e por toda parte, independentemente de redes sociais, armas nucleares, ataques cibernéticos, mecanismos de coalizão, então, por que “mais do que nunca”? Bom, mais do que nunca, simplesmente, porque este é o nosso momento de validação do tempo, validação da história e de protagonismo na realidade.

Na orelha do livro Thomas Sowell se declara um conservador, logo, está posto o prato, sirva-se se quiser, se tiver estômago para peitar.

Eu peitei e despeitei, até porque confrontar ideias não significa que você tenha que diminuir ou tampouco espezinhar o outro, aliás, isso além de não acrescentar, depõe contra você. Deste modo, reitero, confrontar ideias é positivo; primeiro porque só no decurso do diálogo é que temos a oportunidade de conhecer o universo do outro (inclusive, de ler o não dito – pois o corpo fala – e de olhar nos olhos, quando o lance for presencial); segundo, porque podemos aceitar, refutar ou superar o que se estabeleceu (Einstein, por exemplo, fez isso diversas vezes) e, por último, porque você pode simplesmente se permitir explorar o que, talvez, sequer tivesse se dado conta e, para tal, as possibilidades são infinitas, pois podemos falar, exatamente, a mesma coisa singularmente quer seja através de um texto, poesia, música, grafite, sabores, cores, ritmos, dança… De alguma forma e através de meios diversos, ainda assim, estaremos dialogando e nos conectando.

Olha só, falou a equilibrada! Talvez sim, talvez não, talvez louca, talvez perturbada, talvez feliz, talvez depressiva, talvez dramática, talvez esfomeada, talvez contemplada, talvez doce, talvez puta, talvez tudo e talvez porra nenhuma, mas tudo eu, nem uma vírgula a menos, mas tudo o mais que, por direito, me permita ser todas as versões de mim que eu puder ser. Beleza? Beleza.

Em tempos de polarização de discursos e intolerância gratuita, acreditar em imparcialidade é acionar o soma mode on (sim, àquela droga alienante pulverizada no universo de Huxley). Enquanto você se utiliza do seu direito de ficar em cima do muro, outros seguem legitimando discursos contra você e à favor do capital, e é nessa perspectiva que – vestindo pele de carneirinho – encontraremos um Sowell no papel de meritocrata que pisa firme e consciente no terreno confortável da multiplicidade do discurso.

É bem verdade que, em determinados momentos, você tenderá a engolir algumas pílulas do seu alfabeto – mas, lembre-se que num blister pode vir a quantidade exata, faltar ou sobrar pílulas – assim, se você tiver filtros, coloque-os à disposição, pois esta leitura é intencionalmente escorregadia.

No geral, um livro robusto e que vale a pena ser lido, nem que seja só para discordar. Sim, eu admito, tivemos nossas rusgas, muitas, mas conseguimos levar o bate-papo até o final.

Curioos@s, até breve!!

 

Livro, gentilmente, enviado pelo Grupo Editorial Record em parceria com o blog Curioosamente.

* SOWELL, T. Fatos e falácias da economia. Rio de Janeiro: Record, 2017.

 

P.S./ Fiz todo aquele esqueminha de citar e suscitar questionamentos e tal, mas apaguei, perdi a vontade. Se alguém quiser trocar ideias, estou à disposição.

 

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4 comentários sobre “Resenha: Fatos e falácias da economia

  1. A ética da compreensão requer tolerância para as idéias e convicções diferentes das nossas. Essa ética é fundamentada na convicção, na fé e na aceitação radical do diferente. Sua possibilidade de efetivação está ligada ao nosso poder de ouvir, de entender e de se comunicar com o outro. Tolerar idéias e atitudes contrárias às nossas, mas combater os insultos, as agressões ao ser humano e ao ambiente que nos acolhe. (EDGAR MORIN)

    Achei apropriado. 😉

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  2. Olá, Elaine arrasando na resenha só pra variar. Concordo Elaine que é época de validar nosso tempo. E que tempos hein? como sou da década de 70, nunca imaginei viver para ver tantas coisas que estou tendo o prazer de vivenciar, experimentar, participar e graças a Deus também contribuir. Valeu demais. Deu vontade de encarar esse diálogo. Abraço

    Curtido por 1 pessoa

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