Citações – 1984

“Julia não tinha o menor interesse nas diversas ramificações da doutrina do Partido. Sempre que ele começava a falar nos princípios do Socing, do duplipensamento, da mutabilidade do passado e da recusa da realidade objetiva, e a usar palavras em Novafala, ela se entediava, ficava confusa e dizia que nunca prestava atenção naquele tipo de coisa. Se era sabido que tudo aquilo não passava de besteira, por que se preocupar com o assunto? Ela sabia quando aplaudir e quando vaiar e isso era tudo o que precisava saber. Se ele insistisse em discutir aquelas coisas, ela tinha o hábito desconcertante de cair no sono. Era uma dessas pessoas que conseguem adormecer a qualquer momento e em qualquer posição. Conversando com ela, ele percebeu como era fácil exibir um ar de ortodoxia sem fazer a menor ideia do que fosse “ortodoxia”. De certa maneira, a visão de mundo do Partido era adotada com maior convicção entre as pessoas incapazes de entendê-la. Essas pessoas podiam ser levadas a acreditar nas violações mais flagrantes da realidade porque nunca entendiam por inteiro a enormidade do que se solicitava delas, e não estavam suficientemente interessadas nos acontecimentos públicos para perceber o que se passava. Graças ao fato de não entenderem, conservavam a saúde mental. Limitavam-se a engolir tudo, e o que engoliam não lhes fazia mal, porque não deixava nenhum resíduo, exatamente como um grão de milho passa pelo corpo de uma ave sem ser digerido” (ORWELL, 2009, p. 186-187).

Pensava tratar-se de um romance distópico, todavia, leio só cotidiano.

#NãoVaiTerGolpe

 

* ORWELL, G. 1984. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Citações: Assim Falava Zaratustra

Zaratustra600

“Calmo é o fundo do meu mar; quem poderia suspeitar que ele contém monstros risonhos?” (NIETZSCHE, 2008, p.160).

“Estado chama-se o mais frio dos monstros frios. É frio também quando mente com aquela mentira rasteira que sai de sua boca: ‘Eu, o Estado, sou o Povo'” (NIETZSCHE, 2008, p. 74).

“De tudo quanto se escreve, agrada-me apenas o que alguém escreve com o próprio sangue. Escreve com sangue; e aprenderás que sangue é espírito” (NIETZSCHE, 2008, p. 59).