Pedacinho do céu

Valentina sempre achou interessante experimentar caminhos diferentes para chegar ao trabalho. Gostava muito de variar as paisagens, as ruas e, principalmente, de curtir a energia que os dias de sol imprimem às pessoas. Com esse intuito resolveu subir uma escadaria que era conhecida, por todos da empresa, como atalho, apesar do aspecto deserto e pouco convidativo.

A escadaria ficava em frente a um dique, rodeado por árvores lindas. Era bem comprida, ficava aos fundos de algumas poucas casas de muros altos e, mais à frente, viam-se, também, os fundos de alguns apartamentos. Durante a semana, havia um zum zum zum de gente passando (isso a fez decidir passar por ali nos dias úteis), já nos finais-de-semana era significativamente deserta e, curiosamente, havia também um par de olhos singulares que a deixaram um tanto inquieta, a princípio, mas depois, somente atenta.

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Sandalhadas…

Ao acordar, foi escovar os dentes e percebeu que havia uma barata, virada de pernas pro ar, na parte do box. Olhou pra ela e pensou, acordei tão bem, tão em paz que não quero carregar o peso de começar o dia como uma assassina de baratas, então, deixou-a no local. Seguiu com a rotina, tomou seu café da manhã e quando foi tomar banho, deparou-se novamente com a criatura. À princípio, optou apenas por arrastá-la para o extremo oposto do box, apesar de sentir a frustrante sensação de estar postergando um problema para depois. Assim, fez o planejado, entretanto, quando a arrastou, a criaturinha acabou por virar-se e saiu correndo, desesperada, fazendo valer seu último fôlego, sua última chance de sair ilesa.

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