Resenha: Um teto todo seu

um teto todo seu

Tudo o que eu poderia fazer seria dar-lhes a minha opinião sob um ponto de vista mais singelo: uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção; e isso, como vocês verão, deixa sem solução o grande problema da verdadeira natureza da ficção. Esquivei-me da obrigação de chegar a uma conclusão sobre esses dois assuntos – mulheres e ficção permanecem, no que me concerne, problemas não resolvidos. Mas, em compensação, vou fazer o possível para mostrar como formei essa opinião acerca do espaço próprio e do dinheiro. Vou revelar a vocês o mais completa e livremente que puder a linha de raciocínio que me levou a isso. Talvez se eu revelar as ideias, os preconceitos que se escondem atrás desse argumento, vocês vejam que têm alguma relação com mulheres e ficção. De qualquer forma, quando o assunto é controverso – e qualquer questão que envolve sexo é -, não se pode esperar a verdade. Só se pode mostrar como se chegou a ter a opinião que se tem. Só se pode dar ao público a oportunidade de tirar as próprias conclusões ao observar as limitações, os preconceitos, as idiossincrasias do palestrante. É mais provável que a ficção contenha mais verdade do que o fato. Por isso, o que proponho, com todas as liberdades e as licenças de uma escritora, é contar a história dos dois dias que precederam minha vinda até aqui… (WOOLF, 2014, p. 12-13).

Então…

Acho que já disse que gosto da VW por conta do geniozinho dela; e se, por falha nossa, não mencionei antes, reitero, topo com esse satanazinho que conhecemos por VW porque a criatura faz perguntas e perguntas e pesa a mão na balança do equilíbrio. Todavia, HOJE, não tô com muita paciência, principalmente, porque perdi tempo procurando Cenas londrinas quando indisfarçadamente a belezinha encontrava-se bailando na minha cara. Sim, eu bu-fei de raiva.

Perdi tempo caçando Cenas londrinas só para lembrar de uma citação, bendito seja Gutenberg!, grafada na página 50, que na época considerei meio esnobe da parte da querida, mas que agora me serve como uma luva de pelica, mesmo sem nunca ter experimentado uma: “Mas ao cruzarmos a gasta soleira, refletimos que Carlyle com água quente encanada não teria sido Carlyle; e mrs. Carlyle sem insetos para matar seria uma mulher diferente da que conhecemos”. Ela estava a visitar as casas de ilustres escritores da sua terrinha quando largou essa pérola.

Pronto! Por ora, guardemos esse curinga na manga.

Já em relação a Um teto todo seu, bem… a figura foi convidada a palestrar em duas faculdades exclusivas para mulheres e, como nunca foi do seu feitio falar inadvertidamente, nos brindou com uma dose borbulhante de criatividade ao misturar invenção e realidade para abordar o tema – mulheres e ficção – que mais tarde resultaria neste ensaio. “Segura essa marimba!”

Por sinal, vocês já ouviram a doçura melodiosa de uma marimba? Para além dos brinquedos de criança, que instrumento sensacional! Inclusive, num domingo desses da vida estando a zapear os canais, eis que deparo-me, no programa Prelúdio, com a apresentação encantadora da Anna Layza. Vale a pena conferir (link no final da resenha).

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Resenha: Profissões para mulheres e outros artigos feministas

Profissões para mulheres e outros artigos feministas

Sete artigos enxutos. Discussões que ultrapassam séculos.

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Resenha: Sejamos Todos Feministas

Sejamos Todos Feministas

Não saberei precisar a data, lembro apenas que foi no início deste ano que topei com o vídeo da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Lembro que tinha achado massa, de ter considerado a linguagem leve como um ponto positivo, pois agregava no sentido de alcançar várias pessoas, e que havia ficado interessada nos livros, mas o tempo nem sempre ajuda e, por entre uma coisa aqui e outra acolá, acabei esquecendo.

Só que outras vezes, porém, o “acaso” faz uma gracinha e você acaba se batendo exatamente com aquele objeto de desejo que havia ficado para trás. E, convenhamos, a sensação é tão gostosa quanto encontrar aquele dinheiro esquecido no bolso da calça prestes a ser lavada.

Livrinho de bolso, com 63 páginas que comportam a versão modificada da palestra, tão, mais tão gostosinho de ler, que só lamento isso – ser breve demais. Aliás, por mim, poderia ter continuação porque o grande desafio ainda reside no fato do tema não ser compreendido ou reconhecido nas atitudes e pensamentos da dona-de-casa, da mãe que sai cedo pra trabalhar e deixa seu filho na creche, da aposentada que contribui ou sustenta sua família com aquela renda,  das adolescentes que não se veem projetadas na sociedade porque sua realidade não garante perspectivas de mudança de vida, dos garotos e pais e amigos e parceiros que não se acreditam contemplados pelo tema… Enfim, o desafio é falar com o povo e para o povo.

Até porque, não faltariam questionamentos a serem esmiuçados, tipo, quais são as diferentes questões sociais enfrentadas pelas mulheres ao redor do mundo? Ou, visões acerca do feminismo na academia e nas periferias? Ou, qual a importância do feminismo nos movimentos sociais? Ou, qual o papel da educação enquanto condensadora de base dos coletivos feministas? Ou, arcabouço feminista, você conhece? Ou, qual o papel do empoderamento feminino nas militâncias jovens? Você tem noção do quanto o feminismo tem relação com as políticas públicas? Qual a relação entre escolaridade e feminicídio?… Enfim, múltiplas são as questões a serem abordadas (que podem ser pontuadas, inclusive, por qualquer um de nós), o fato é que, para além da efervescência atual ascendida pelas redes sociais, esse é um tema que ecoa aos quatro cantos do mundo e que precisa ser debatido com seriedade.

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Resenha: O Ponto de Mutação

O Ponto de Mutação.

Ainda que os cientistas consigam desbravar o cérebro humano chegando ao ponto de rastrear a origem dos pensamentos, ainda assim, existirá a intuição. Nada contra quem faz pouco caso ou desconsidera, mas para mim – Elaine – ela funciona como uma bússola e foi seguindo seu rastro que alcancei o Fritjof. Um lance curiooso em meio a tudo isto é a necessidade, vigorosa, de uso do bom e velho clichê “tudo ao seu tempo”… “Tudo ao seu tempo” porque, na verdade, lembro de um período em que via um exemplar, do meu antigo chefe, perambulando pelas prateleiras do consultório em que trabalhava e não dava bola; entretanto, quando assisti ao filme, em 2008, comecei a transar suas ideias, e, em 2011, enquanto cursava um componente de Psicologia do Desenvolvimento Humano, lembro de me haver identificado bastante, mas somente agora surgiu a oportunidade no tempo-espaço para que estreitássemos o tete-a-tete, então…

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Resenha: O Segundo Sexo

Algum motivo especial para trazer esta leitura, Elaine? Será que precisa de um motivo especial para tentarmos entender historicamente o porquê de, ainda hoje, tantas mulheres sofrerem violência física, psicológica ou verbal? Será que precisamos de um motivo especial para entender o porquê de ainda ganharmos aquém dos homens nas mais diversas áreas de trabalho, mesmo realizando as mesmas funções? Será, realmente, necessário entender porque ainda carregamos no inconsciente o peso dos grilhões da submissão e nos deixamos inferiorizar por isso sem gritar um basta? Será tão difícil compreender que, para além da necessidade sexual, a importância da mulher converge, inclusive, ou sobretudo, na pirâmide econômica de um país? Pois, conhecer de onde partiu e quais foram as desbravadoras do mainstream filosófico político econômico é mais do que uma leitura de férias, é uma necessidade, e mais, não apenas para as mulheres, os homens que se valham também precisam atentar para as verdadeiras lutas de classes e saber, exatamente, onde e como precisarão estar. Os tempos podem até ser outros, mas o pragmatismo insidioso ousa reinar, não absoluto, mas renitente; portanto, mais do que nunca a história surge e resiste  para nos manter à salvo da ignorância e da selvageria. Uma ode ao conhecimento!!

O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir.

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