Resenha: Bartleby, o escrivão

Bartleby, o escrivão

Há coisa de 15 dias estive lendo O Livro do Desassossego, do Fernando Pessoa, e acabei cedendo a um impulso nada produtivo – e que, particularmente, não gosto – de deixá-lo de lado. Muito em virtude de algumas associações que vieram à tona e que me exigiram uma energia extra para a qual não havia reserva; mas também porque considerei o momento inoportuno para a aceitação de um Pessoa tão resoluto pela infelicidade, descrença e isenção para com a vida, por isso, me reservei à condição de voltar a ele depois.

Então, eis que recebo alguns livros e resolvo encarar Bartleby, o escrivão, e, meio que voltei numa aula de biofísica, quando o professor explicava sobre a energia de arranque necessária para que os elétrons pudessem alçar determinadas posições na camada de valência. Mas, à propósito, quem é Bartleby? E o que ele tem a ver com tudo isso? Bom… Potencial de ionização, sincronicidade, teoria do caos, teoria da conspiração ou quaisquer que sejam as possíveis definições para dar cabo da frequência dos eventos e da energia que os comporta, o fato é que não existe nenhuma ponta solta nesse universo que possa se dar ao luxo de pretender passar incólume aos prazeres e às dores do mundo. Sinto muito, mas NÃO há essa possibilidade. Não há! Quanto ao que fica… Aí nos cabe o Tempo, sempre soberano.

O rumor era o seguinte: Bartleby, fora um funcionário do Departamento de Cartas Devolvidas em Washington, do qual fora subitamente afastado por uma mudança na administração. Quando penso nesse rumor, mal posso exprimir as emoções que me envolvem. Cartas mortas! Não soa como homens mortos? Imaginem um homem que, por natureza e infortúnio, é propenso a uma insidiosa desesperança. Alguma atividade pode ser mais apropriada para aguçar essa desesperança do que manipular cartas mortas e separá-las para o fogo? (MELVILLE, 2017, p. 88-89)

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