Resenha: Bartleby, o escrivão

Bartleby, o escrivão

Há coisa de 15 dias estive lendo O Livro do Desassossego, do Fernando Pessoa, e acabei cedendo a um impulso nada produtivo – e que, particularmente, não gosto – de deixá-lo de lado. Muito em virtude de algumas associações que vieram à tona e que me exigiram uma energia extra para a qual não havia reserva; mas também porque considerei o momento inoportuno para a aceitação de um Pessoa tão resoluto pela infelicidade, descrença e isenção para com a vida, por isso, me reservei à condição de voltar a ele depois.

Então, eis que recebo alguns livros e resolvo encarar Bartleby, o escrivão, e, meio que voltei numa aula de biofísica, quando o professor explicava sobre a energia de arranque necessária para que os elétrons pudessem alçar determinadas posições na camada de valência. Mas, à propósito, quem é Bartleby? E o que ele tem a ver com tudo isso? Bom… Potencial de ionização, sincronicidade, teoria do caos, teoria da conspiração ou quaisquer que sejam as possíveis definições para dar cabo da frequência dos eventos e da energia que os comporta, o fato é que não existe nenhuma ponta solta nesse universo que possa se dar ao luxo de pretender passar incólume aos prazeres e às dores do mundo. Sinto muito, mas NÃO há essa possibilidade. Não há! Quanto ao que fica… Aí nos cabe o Tempo, sempre soberano.

O rumor era o seguinte: Bartleby, fora um funcionário do Departamento de Cartas Devolvidas em Washington, do qual fora subitamente afastado por uma mudança na administração. Quando penso nesse rumor, mal posso exprimir as emoções que me envolvem. Cartas mortas! Não soa como homens mortos? Imaginem um homem que, por natureza e infortúnio, é propenso a uma insidiosa desesperança. Alguma atividade pode ser mais apropriada para aguçar essa desesperança do que manipular cartas mortas e separá-las para o fogo? (MELVILLE, 2017, p. 88-89)

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Resenha: Profissões para mulheres e outros artigos feministas

Profissões para mulheres e outros artigos feministas

Sete artigos enxutos. Discussões que ultrapassam séculos.

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Resenha: Quarto de Despejo

Quarto de Despejo

18 de julho Levantei as 7 horas. Alegre e contente. Depois que veio os aborrecimentos. Fui no deposito receber… 60 cruzeiros. Passei no Arnaldo. Comprei pão, leite, paguei o que devia e reservei dinheiro para comprar Licor de Cacau para Vera Eunice. Cheguei no inferno. Abri a porta e pus os meninos para fora. A D. Rosa, assim que viu o meu filho José Carlos começou impricar com ele. Não queria que o menino passasse perto do barracão dela. Saiu com um pau para espancá-lo. Uma mulher de 48 anos brigar com criança! As vezes eu saio, ela vem até a minha janela e joga o vaso de fezes nas crianças. Quando eu retorno, encontro os travesseiros sujos e as crianças fétidas. Ela odeia-me. Diz que sou preferida pelos homens bonitos e distintos. E ganho mais dinheiro do que ela.

Surgio a D. Cecilia. Veio repreender os meus filhos. Lhe joguei uma direta, ela retirou-se. Eu disse:

– Tem mulher que diz saber criar os filhos, mas algumas tem filhos na cadeia classificado como mau elemento.

Ela retirou-se. Veio a indolente Maria dos Anjos. Eu disse:

– Eu estava discutindo com a nota, já começou a chegar os trocos. Os centavos. Eu não vou na porta de ninguem. É vocês quem vem na minha porta aborrecer-me. Eu nunca chinguei filhos de ninguem, nunca fui na porta de vocês reclamar contra seus filhos. Não pensa que eles são santos. É que eu tolero crianças.

Veio a D. Silvia reclamar contra os meus filhos. Que os meus filhos são mal iducados. Mas eu não encontro defeito nas crianças. Nem nos meus nem nos dela. Sei que criança não nasce com senso. Quando falo com uma criança lhe dirijo palavras agradaveis. O que aborrece-me é elas vir na minha porta para perturbar a minha escassa tranquilidade interior (…) Mesmo elas aborrecendo-me, eu escrevo. Sei dominar meus impulsos. Tenho apenas dois anos de grupo escolar, mas procurei formar o meu carater. A unica coisa que não existe na favela é solidariedade.

Veio o peixeiro Senhor Antonio Lira e deu-me uns peixes. Vou fazer o almoço. As mulheres sairam, deixou-me em paz por hoje. Elas já deram o espetaculo. A minha porta atualmente é theatro. Todas crianças jogam pedras, mas os meus filhos são os bodes expiatorios. Elas alude que eu não sou casada. Mas eu sou mais feliz do que elas. Elas tem marido. Mas, são obrigadas a pedir esmolas. São sustentadas por associações de caridade.

Os meus filhos não são sustentados com pão de igreja. Eu enfrento qualquer especie de trabalho para mantê-los. E elas, tem que mendigar e ainda apanhar. Parece tambor. A noite enquanto elas pede socorro eu tranquilamente no meu barracão ouço valsas vienenses. Enquanto os esposos quebra as tabuas do barracão eu e meus filhos dormimos socegados. Não invejo as mulheres casadas da favela que levam vida de escravas indianas.

Não casei e não estou descontente. Os que preferiu me eram soezes e as condições que eles me impunham eram horriveis.

Tem a Maria José, mais conhecida por Zefa, que reside no barracão da Rua B numero 9. É uma alcoolatra. Quando está gestante bebe demais. E as crianças nascem e morrem antes dos doze meses. Ela odeia-me porque os meus filhos vingam e por eu ter radio. Um dia ela pediu-me o radio emprestado. Disse-lhe que não podia emprestar. Que ela não tinha filhos, podia trabalhar e comprar. Mas, é sabido que pessoas que são dadas ao vicio da embriaguês não compram nada. Nem roupas. Os ebrios não prosperam. Ela as vezes joga agua nos meus filhos. Ela alude que eu não expanco os meus filhos. Não sou dada a violência. O José Carlos disse:

– Não fique triste mamãe! Nossa Senhora Aparecida há de ter dó da senhora. Quando eu crescer eu compro uma casa de tijolos para a senhora.

Fui catar papel e permaneci fora de casa uma hora. Quando retornei vi varias pessoas as margens do rio. É que lá estava um senhor inconciente pelo alcool e os homens indolentes da favela lhe vasculhavam os bolsos. Roubaram o dinheiro e rasgaram os documentos (…) É 5 horas. Agora que o Senhor Heitor ligou a luz! E eu, vou lavar as crianças para irem para o leito, porque eu preciso sair. Preciso dinheiro para pagar a luz. Aqui é assim. A gente não gasta luz, mas precisa pagar. Saí e fui catar papel. Andava depressa porque já era tarde. Encontrei uma senhora. Ia maldizendo sua vida conjugal. Observei mas não disse nada. (…) Amarrei os sacos, puis as latas que catei no outro saco e vim para casa. Quando cheguei liguei o radio para saber as horas. Era 23,55. Esquentei comida, li, despi-me e depois deitei. O sono surgiu logo (JESUS, 2014, p. 15-17).

“Você tem fome de quê?”

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Resenha: A Metamorfose

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Algumas palavras têm o poder de me inculcar e “metamorfose” é uma delas. Lembro que em 2003.2, em meio a uma aula de Direito e Ética em Relações Públicas, o professor sentenciou algo do tipo “nesta profissão, vocês terão que se metamorfosear muitas vezes”, e, tais palavras desceram dubiamente atropeladas goela abaixo, com gosto de vinagre, porque deixavam de ter uma conotação positiva para adquirir ares de negatividade (de sorte que nessa época eu andava lendo Operação Cavalo de Troia e, vez por outra, trocávamos algumas ideias acerca do livro; fora este o salvo-conduto para suportar o final do período).

Já em 2013.2, em meio a uma aula de Patologia, cujo assunto configurava displasia e a sua relação de mudança na célula – um estado de desarrumação na forma e na estrutura, devido a alterações no conteúdo do dna – o professor, numa tentativa de facilitar o entendimento, aludiu “é algo que mexe com a sua intimidade, que mexe com a sua essência” e, de fato, aquilo me marcou, pois apesar de estarmos num contexto negativo, aquelas palavras fluíram aguerridas; encontrava-me numa fase de mudanças, de modo que a ideia de algo que extrapolava o imanente e transcendia me capturou… Eram tantas questões… Mas, na peneira, duas sobressaíam, migrara de humanas para as ciências biológicas e, paulatinamente, estava a me testar, além dos cabelos (tinha descoberto há pouco tempo a rosácea e, aliado ao desejo de manter a pele o mais isenta possível de qualquer química, quer fosse oriunda de produtos para o rosto ou madeixas, imperava a necessidade de aceitação dos cabelos naturais; tudo isso me fez cortá-los totalmente baixinho… Lá estava eu no sexto mês dessa aventura da qual jamais me arrependi!).

Nenhuma grande mudança virá de bandeja, tampouco acontecerá sem esforço. Ousar tornar-se aquilo que você escolheu para si é o primeiro grande passo para tudo na vida.

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Resenha: A Redoma de Vidro

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Desconfio de muita felicidade.

Ninguém é feliz o tempo todo, logo, quando vejo pessoas excessivamente felizes, primeiro, fico cansada, porque existe todo um dispêndio de energia pra dar conta desse tipo papel, segundo, fico curiosa, literalmente, pra conhecer todas as conexões possíveis que permitam que tal criatura consiga se manter nesse nível de gás, afinal, a nossa bioquímica também precisa se recompor (a fisiologia explica… inclusive, os mecanismos de quem recorre aos subterfúgios…), mas definitivamente, gosto de observar a uma certa distância.

Me apraz a ideia da imperfeição. Gente perfeita sempre me dá uma sensação laboriosa de querer buscar a rachadura, o remendo, porque convenhamos, perfeição não é pra esse mundo, ou então, tô mais ultrapassada do que tudo.

Outra coisa, vão me encontrar no bloco dos que quebraram a cara e conheceram algum tipo de buraco negro; taí outra coisa que, mesmo sem conhecer direito, preciso agradecer a existência, pois é preciso haver um espaço onde o nada possa existir e, nesse ínterim, consiga abarcar o todo outra vez. O lado bom desse bloco é que, provavelmente, você respeitará as lições que tirou, ahhhh se vai… O lado ruim é que você nunca mais voltará a ser a mesma pessoa de antes e isso, talvez, lhe tire um certo brilho do olhar, talvez, revele sua natureza tão objetiva na arte da sobrevivência – nem que seja só pra saber o que vem depois da linha do horizonte – que, talvez, seja algo peculiarmente cruel de enxergar no espelho, mas no final das contas, descobrimos que sempre é possível espremer a mente/alma/ou/sei/lá/o/quê ao ponto de novas conexões surgirem para lhe mostrar que a resiliência existe e que se pode usar tal capacidade até o último instante, até o limite cabal das forças (e desejar que haja gratidão e ternura por essa nova consciência. E que as missões tenham sido consideradas porque, sinceramente, se existir vida após a morte, vou virar a desgraça se tiver que voltar com o karma de bater na mesma tecla outra vez, aaaaah se vou…).

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Resenha: Mulheres, Raça e Classe

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Estava numa roda de conversa, durante o #ocupaUneb contra a #pecdofimdomundo, quando uma das convidadas começou a falar sobre a situação das mulheres na política e no mundo e, mais especificamente, sobre as mulheres negras. Dentre as tantas palavras, oportunamente, colocadas e bem ditas – que me trazia a sensação calorosa de estar no lugar certo e na hora certa fruindo aquelas reflexões – pude guardar algo que não terá uma transcrição devidamente condizente com o que foi dito, mas que essencialmente falava o seguinte “se você saiu do beco, tenha orgulho do beco, enalteça o beco e leve o beco para onde você for. O beco faz parte da sua história e foi o povo do beco que, de alguma forma, te impulsionou a chegar aonde você chegou ou almeja ir”.

Lembro que só pensava no quanto eu gostaria que as milhares de pessoas dos becos mundo afora sentissem a importância de se valorizarem e valorizarem suas histórias; da importância de erguerem suas cabeças e seguirem firmes, e em paz com as suas consciências, porque o fato de morarem onde moram ou da condição social na qual estão, ou estiveram, inseridas não tem que ser o fator determinante de suas vidas, haja vista que tem muita gente bem nascida e aprumada nas riquezas vitalícias da roda da fortuna e que vivem aí, entrando e saindo de listas intermináveis de corrupção.

Mas, como nem tudo é possível e neste momento só posso falar por mim, sigo levando o meu beco comigo e tentando compreender o que ele tem a dizer e a pontuar na vida dos que convivem ao meu redor, afinal, nesse mundo tão grande, curioosamente, existem histórias de beco muito parecidas para se ouvir e contar.

Foi assim que esta fortaleza de mulher, vulgo Angela Davis, chegou chegando… Mó satisfação!! Quanto ao livro, bom, temos 13 capítulos a versar sobre temas que perpassam pelo legado da escravidão à perspectiva de obsolescência das tarefas domésticas, além de necessários, e atemporais, tópicos sobre a origem dos direitos das mulheres, sufrágio feminino, estupro, racismo e uma série de outras demandas que nos parecem beeeem atuais. Obviamente que nem tudo será pontuado porque, além de espantar vocês, certamente, eu não daria conta de bancar os direitos autorais, então, é isso.

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Resenha: O processo

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– Como um cão – disse K.

Era como se a vergonha devesse sobreviver a ele (p. 228).

Isso me remete ao fragmento de uma conversa que tive com uma prima e que, à época, estagiava num abatedouro. Ela dizia: “os bois, quando seguem para o abate, sabem o que está para acontecer; eles seguem firmes e no seu olhar se enxerga uma tal dignidade que não dá pra ficar encarando”.

Assim sendo, diria que K. estava mais prum Nelore do que prum cão, pois os cães, até o último momento, seguem com os humanos acreditando que receberão algum carinho, alguma recompensa, mas esse gado que vai pro abate, nesse tipo de situação, segue altaneiro e resignado, tal qual K. o fez.

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Resenha: A Montanha Mágica

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Era manhã de natal de 2015 quando entrei no site da Cultura para comprar o livro, pois somente eles ofereciam a edição portuguesa, ademais, em todos os outros cantos o livro A Montanha Mágica encontrava-se esgotado. Chegou no dia 04/02/2016, faltando poucos dias para o meu aniversário, todavia, o semestre letivo também estava por começar, então, – JURO! – não arrisquei iniciar para ficar com o gostinho na boca e depois ser obrigada a parar. Não gosto de ler dessa forma. Esperei até 26/11/2016 e, quando estava prestes a subir a montanha, eis que um componente curricular deixava de ter sua inserção na grade letiva de 2017 para ser ofertado como curso de férias em pleno dezembro. Mais uma vez adiávamos o intento.

Um ano depois do nosso flerte, no dia 26/12/2016, pós regresso de viagem do Natal, foi que, finalmente, pude transar as ideias do Mann e conhecer a gangue da montanha, rsrsrrsrs… E foi assim que deu-se a minha saga do tempo em relação ao encontro com Hans Castorp, Joachim ZiemBen, Settembrini, Naphta, Ferge, Wehsal, Madame Chauchat e Peeperkorn, os 7 amigos de passeio, ao longo dos 7 anos de estadia, do nosso querido Hans, no Berghof, passando pelas 7 mesas da sala de jantar, e, enquanto conduzia-nos pelas suas mais inefáveis experiências no interior do quarto de número 34, ou seja, uma derivação do 7.

Escrever sobre este livro é um desafio vulgar e fugaz, pois somente a insolência poderia permitir, dadas as circunstâncias, tal empreitada dando-me condições de não levar tal tarefa tão à sério – pois nos é crível a incapacidade de fazê-lo com o devido zelo e esmero que o autor merece – e realizando-a, tão somente, com singeleza e carinho, com um franco enternecimento, como, aliás, é bastante comum à todos aqueles que dele se aproximam. Assim sendo, sigamos!!

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Resenha: Hamlet

Hamlet

Não vou mentir, tenho um recalque desgraçado de certas cenas de filmes em que as pessoas vão andando pelas estações de ônibus, metrô, praças e sempre rola de aparecer alguém tocando um sax, um violão, uma sanfona, um pandeiro, um apito que seja. Aqui em Salvador existem, pelo menos, quatro grandes estações de transporte e eu nunca vi tal cena. Nada, nada, nem uma flauta, e isso me emputece porque a arte muda o estado de espírito das pessoas, ter acesso à arte deveria ser tão primordial quanto feijão e arroz no prato.

Vocês já me conhecem um pouco e sabem que eu não sou de ficar rasgando seda, mas antes entalhar madeira farpada (de preferência sem pregos, pois essa loucura de “eu gosto tanto de parafuso e prego” só apetece a cria da Lispector), entretanto, preciso elencar alguns aspectos relevantes: os monólogos do Hamlet são sensacionais (você precisa ler em voz alta. Aliás, eu tenho dessas loucuras com certas leituras que me soam especiais. O impacto da palavra, a voz e o seu produto na alma conformam todo um contexto que, porra, só a arte pra justificar); você vai ficar puto por não saber escrever sequer um 3.14159265359 tão bem quanto ele (mas, que se lasque esse quê de inalcançável; também podemos aceitar que escrever feito ele não nos interessa e nem é um objetivo de vida. Saber que ele existiu e fez a sua parte, e continua fazendo através do legado que deixou, já está de bom tamanho. Que nada nos limite, mas o que vier pra somar terá caminho aberto :p Agora, caso seja da sua vontade ser páreo-duro na escrita, se jogue e faça!); você vai desejar interpretar algum dos seus personagens (tenho um saudosismo dos saraus, nunca vivi, nunca estive em nenhum, mas adoraria sentir aquele clima de leituras de poesias e textos e o escambau, adoro ver isso nos filmes); você vai rir com as largadas do Horácio (que na minha cabeça é o Matheus Nachtergaele) e como, fatidicamente, nem tudo são flores,  você vai acordar pra realidade da vida com os dilemas que traz no lombo o Príncipe da Dinamarca e que, em algum grau, pode lhe remeter aos seus. Será?

Várias vezes me pego pensando coisas do tipo, Elaine, você não poderia simplesmente fazer uma resenha breve do livro, sem esses comparativos e sem todos estes paralelos? E a resposta é que, até poderia, mas a minha cachaça é essa aqui, sabe? Não tenho pressa, aliás, tenho apenas a obrigação de usar o tempo a meu favor e sentir prazer com a leitura. Ademais, sinceramente, meu interesse aqui é largar a batata quente nas mãos de todos que circulam por este espaço e, acima de qualquer coisa, trocar ideias. Isto posto, questiono se tu te indagas à respeito da razão pela qual a arte não é acessível à todos? Porquê que, juntamente com a educação (e Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro devem chorar com gosto, até hoje, em suas nuvens), ela é ministrada em migalhas, em doses homeopáticas? Porquê que, desde a vibração dos atabaques às guitarras elétricas, os capitães do mato sempre cercearam o povo com a ideia de manter a ordem (ou não)? Porquê que tu precisa passar por situações como pagar mais caro no táxi pra voltar pra casa do que no ingresso apenas para ter acesso, afinal, os teatros e casas de show são sempre longe das periferias? Porquê que grandes shows e concertos e mostras de arte só se reproduzem em, pelo menos, quatro capitais do país? Será à toa? Pois, só sei que é cômodo, só sei que é um ato político, só sei que reflete o paradoxo das heranças excludentes às quais sempre fomos relegados.

Só sei que, na minha cabeça, os museus poderiam estar, por exemplo, nas estações de transporte. A pessoa desceria de manhã na estação, já ficava ligada no frisson do que tava rolando ou não, já começava a vibrar outra energia, a viajar por entre novas ideias e conhecimentos e estímulos que poderiam funcionar até, quem sabe?, como um fiozinho de expansão dos horizontes; antes de voltar pra casa, idem. Na minha cabeça, as bibliotecas poderiam se adequar para ficar abertas 24 h como, aliás, já funciona em outros locais; tipo, pensa aí que sensacional alguma política pública que desse subsídio para que tais instituições pudessem se manter e serem mais democráticas no uso do aparato físico e estrutural por todos, de pessoas que não têm abrigo, mas que teriam a chance de varar a noite numa perspectiva diferente à pessoas que querem estar lá para pesquisar, estudar, ler, passar o tempo, enfim. Na minha cabeça, livros inteiros-pedaços-ou-frases de Cecília Meireles à Machado de Assis poderiam estar nas paredes-no-chão-ou-no-assentos públicos, grafites dos artistas do meu bairro aos Gêmeos deveriam ser cotidiano nas ruas, e não a exceção da regra. Na minha cabeça as estações, e não nos limitem aos shoppings pelo amor do sol, as praças, e todos os ambientes urbanos deveriam ter mais povo mostrando a sua arte, deveriam se constituir como um espaço mais efetivo na vida das pessoas e não ter a sua concepção de nascimento e funcionalidade tão pouco aproveitada. Na minha cabeça tanta coisa, mas na vida real a história é outra e não existem contos de graça. Saca A Vida Secreta De Walter Mitty? Pois, esse último parágrafo foi minha versão bem viajandona, mas deixe estar que já acordei de novo. Bleh…

Hamlet, meu bem, aqui vou eu!!

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Resenha: Amor Líquido

Amor Líquido.

Vez por outra me pego pensando no modo de vida do Oliveira, sim, o do Cortázar, e, apesar de todas as nossas rusgas, confesso que me enredo um tanto naquele novelo, e é aí que reside a provocação. Explico, o fato dele não ser um devotado do lattes – apenas um amante do conhecimento e, leia-se, por gosto, por opção – não o torna um escravo do sistema, um escravo das implicações de sucesso e perfeição que a sociedade capitalista impinge à todo e qualquer indivíduo que sai do útero. Ao contrário, o conhecimento faz com que a vida dele seja o laboratório que ele precisa, enquanto ser analítico e pulsante, e suas funções laborais apenas cumprem seu papel sem o apelo de TERQUESER a mais rentável, de TERQUE manter o status quo, de TERQUE estar acima do fracasso, acima do sofrimento, acima da angústia da liberdade.

Entretanto, perceber que, apesar de toda a sua resistência, o mundo o absorveu, o catalogou num nos códigos patologizantes (pois em algum grau o amor literalmente o deixou a delirar) e o medicalizou – como aliás fazem diariamente nesse mundão contemporâneo, sofreu/chorou/não foi um sucesso/fracassou/somatizou/tratou o sintoma/a demanda vive latente, mas quem se importa?/medicaliza/se MEDICALIZOU tá tudo certo (SERÁ???? Sabemos que “o buraco é bem mais embaixo” e que “a tonga da mironga do kabuleté” diz outra coisa, mas sejamos realistas, meu caro, há aqui tantos interesses, opppppppppps, tantas respostas quanto possíveis forem e do capitalismo ao socialismo, do cartesianismo ao holismo, do jurássico ao contemporâneo, do individualismo ao coletivo, o ponto derradeiro ou o inacabado fica por sua conta, esteja à vontade, afinal, o diálogo convém mais do que nunca) – meio que dá aquela sensação de nadar nadar e morrer na praia, quando poderia ser diferente, principalmente quando você sabe que o que não falta é chão nesse planeta.

Ademais, algumas perguntas resistem; O quanto que essa obrigação de TER felicidade e SER um sucesso impacta na vida das pessoas? O quanto que essa obrigação FAZ com que as pessoas se percam ou que justifiquem os fins pelos meios? O quanto que essa obrigação truncou os valores e permitiu que chegássemos ao ponto de não mais distinguirmos nada e que, polarizando tudo e agindo autoritariamente (ainda que digam o contrário), sigamos não ouvindo o que de fato importa? Será que isso tem relação com o modus operandi desse mundo líquido?

Pois, o “só sei que nada sei“, a cada dia faz mais sentido e, não se iluda, o conhecimento não fará de você o detentor de todas as verdades ubíquas do mundo, mas te permitirá compreender alguns dos motivos pelos quais os fatos se dão, os comportamentos se sucedem, a ciclicidade dos eventos permanece e os motivos pelos quais a interação humana ainda constitui a razão da evolução nesta terra. No mais, a partir de agora, teremos a polissemia do amor, desde as relações voláteis nas redes sociais até a imperiosa dor sofrida pelos imigrantes nos países da União Europeia e do mundo, através do olhar de Zygmunt Bauman, aquele que sempre carrega os card games cruciais para cada situação. Sigamos!

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Resenha: Sejamos Todos Feministas

Sejamos Todos Feministas

Não saberei precisar a data, lembro apenas que foi no início deste ano que topei com o vídeo da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Lembro que tinha achado massa, de ter considerado a linguagem leve como um ponto positivo, pois agregava no sentido de alcançar várias pessoas, e que havia ficado interessada nos livros, mas o tempo nem sempre ajuda e, por entre uma coisa aqui e outra acolá, acabei esquecendo.

Só que outras vezes, porém, o “acaso” faz uma gracinha e você acaba se batendo exatamente com aquele objeto de desejo que havia ficado para trás. E, convenhamos, a sensação é tão gostosa quanto encontrar aquele dinheiro esquecido no bolso da calça prestes a ser lavada.

Livrinho de bolso, com 63 páginas que comportam a versão modificada da palestra, tão, mais tão gostosinho de ler, que só lamento isso – ser breve demais. Aliás, por mim, poderia ter continuação porque o grande desafio ainda reside no fato do tema não ser compreendido ou reconhecido nas atitudes e pensamentos da dona-de-casa, da mãe que sai cedo pra trabalhar e deixa seu filho na creche, da aposentada que contribui ou sustenta sua família com aquela renda,  das adolescentes que não se veem projetadas na sociedade porque sua realidade não garante perspectivas de mudança de vida, dos garotos e pais e amigos e parceiros que não se acreditam contemplados pelo tema… Enfim, o desafio é falar com o povo e para o povo.

Até porque, não faltariam questionamentos a serem esmiuçados, tipo, quais são as diferentes questões sociais enfrentadas pelas mulheres ao redor do mundo? Ou, visões acerca do feminismo na academia e nas periferias? Ou, qual a importância do feminismo nos movimentos sociais? Ou, qual o papel da educação enquanto condensadora de base dos coletivos feministas? Ou, arcabouço feminista, você conhece? Ou, qual o papel do empoderamento feminino nas militâncias jovens? Você tem noção do quanto o feminismo tem relação com as políticas públicas? Qual a relação entre escolaridade e feminicídio?… Enfim, múltiplas são as questões a serem abordadas (que podem ser pontuadas, inclusive, por qualquer um de nós), o fato é que, para além da efervescência atual ascendida pelas redes sociais, esse é um tema que ecoa aos quatro cantos do mundo e que precisa ser debatido com seriedade.

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Resenha: Frankenstein

Frankenstein.

Inspirada pelas histórias de fantasmas que eram contadas por um grupo de amigos, nas reuniões promovidas em sua casa, nos chuvosos dias de 1816, Shelley pegou-se sonhando com a trama de um rapaz, um jovem cientista, que daria vida à uma criatura abominável, a abandonaria e, a partir de então, passaria a ser punido por ter ousado crer-se um Deus capaz de despertar a centelha divina em um corpo inanimado. Tal história, lançada ao público em 1818, veio a lograr muito sucesso e o interessante é que, com ela, algumas analogias ficaram eternizadas e são muito usadas até os dias de hoje, como é o caso por exemplo, da noção de personificação entre Criador e Criatura, pois Victor Frankenstein foi o cientista, ao passo que a criatura sempre fora chamado por Monstro ou Demônio, mas suas alcunhas foram embrenhadas de tal forma, que os termos acabaram se hibridizando. A outra analogia diz respeito ao Complexo de Frankenstein, muito usado para designar, na robótica – o arvorado medo dos robôs e de que eles possam acabar com a humanidade – e, na psicanálise – para abordar os aspectos da dor da rejeição, do medo, da humilhação e sua influência direta no comportamento dos indivíduos.

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Resenha: O Ponto de Mutação

O Ponto de Mutação.

Ainda que os cientistas consigam desbravar o cérebro humano chegando ao ponto de rastrear a origem dos pensamentos, ainda assim, existirá a intuição. Nada contra quem faz pouco caso ou desconsidera, mas para mim – Elaine – ela funciona como uma bússola e foi seguindo seu rastro que alcancei o Fritjof. Um lance curiooso em meio a tudo isto é a necessidade, vigorosa, de uso do bom e velho clichê “tudo ao seu tempo”… “Tudo ao seu tempo” porque, na verdade, lembro de um período em que via um exemplar, do meu antigo chefe, perambulando pelas prateleiras do consultório em que trabalhava e não dava bola; entretanto, quando assisti ao filme, em 2008, comecei a transar suas ideias, e, em 2011, enquanto cursava um componente de Psicologia do Desenvolvimento Humano, lembro de me haver identificado bastante, mas somente agora surgiu a oportunidade no tempo-espaço para que estreitássemos o tete-a-tete, então…

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Resenha: O Jogo da Amarelinha

O Jogo da Amarelinha.

Dia desses lembrei de um jogo ao qual fui apresentada enquanto estava na sétima série, o Tangram. Joguinho simples, composto por sete peças de madeira e que lhe permite criar coisas incríveis, bastando apenas abusar da criatividade. Beleza! Acabei por esquecê-lo em seguida, mas tempo vai, tempo vem, marco com minha prima no shopping e nos encontramos na Saraiva. Assim que olho a primeira tenda de lançamentos, eis que, curioosamente, me deparo com uma caixa de Tangram. Fiquei com aquela sensação gostosa da surpresa, apesar de um tanto acabrunhada com o número de peças – 72. É, né?, se tudo evolui, porque não aumentar o conteúdo da caixa?

Noutro dia desses, fiquei com a proposta do Glauber Rocha no juízo “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Não, eu não quero filmar nada, cada qual no seu cada qual, mas senti vontade de suscitar o jogo e o cineasta para alcançar o Julio Cortázar no sentido de que, partindo do simples que lhe rodeia, coisas fantásticas podem surgir; claro, nem sempre algo incrível para alguns (como, por exemplo, os encantos absurdos da simplicidade ou a beleza incandescente do comum, do cotidiano, do despercebido) será compreendido igualmente por outros, mas só o fato de todos eles existirem já faz com que mais e mais luz se mantenha firme e imponente diante dos buracos negros vários que insistem em sugar estrelas, planetas e galáxias.

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Resenha: Tonio Kröger

Kröger.

À primeira vista, uma novela insossa. À primeira vista, mas como bem diz o ditado: “águas paradas são profundas”, então, tenhamos muito, muito cuidado com aquilo que se nos apresenta como raso, pois, na verdade, são também nessas águas que encontramos pano pra manga e, quiçá, para revoluções imanentes, cujo poder de mudança age desde a sua fonte no dna, e acaba por eclodir num potencial catártico transcendente ao exterior.

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Resenha: A Morte em Veneza

A morte em Veneza.

Recentemente, reli O Retrato de Dorian Gray e, sincronia ou não?, eis que há pouco termino a leitura de A Morte em Veneza. Apesar de serem histórias diferentes, ambas carregam um contextual parecido, abordam o homossexualismo e demonstram os diversos comportamentos das sociedades perante autor e obra.

Publicado em 1890, o romance O Retrato de Dorian Gray foi duramente criticado, censurado e visto como imoral pela sociedade vitoriana. Oscar Wilde, que foi casado, teve filhos e separou-se para viver as relações que de fato lhe apeteciam a alma, foi condenado e preso por relacionar-se com outros homens. Passa de uma carreira de sucesso estrondoso à uma vida de necessidades sem, contudo, deixar de produzir, ao contrário, ficara mais acurado e perspicaz em sua arte.

Já a novela A Morte em Veneza, lançada em 1912, que também traz um tom de autobiográfico no que tange aos desejos homossexuais do autor, não passou por esse crivo coercitivo. Se o fato de Thomas Mann ter se casado, tido seis filhos, e quem sabe?, ter-se anulado em prol da sociedade, de uma vida de aparências, favoreceu tamanha aceitação, eu não saberia explicar no momento, o fato é que me deixou com uma pulguinha atrás da orelha, até porque sabemos que a política das convenções e conveniências sociais solapam os seres humanos e não é de agora. Entretanto, o que tento observar, é que, se os artistas exprimem suas artes baseados em si e no mundo que os rodeia, também nós, podemos depreender um pouco das vossas dores partindo da leitura das suas ações, produções e comportamentos. Aonde quero chegar com isso? Bom, se havia repressão no ar e se isso castrou alguma fagulha de vida no Mann, o fato é que nem por isso ele deixou de transmiti-la ao mundo, e perceberemos isso do primeiro ao último parágrafo do livro, mas o mais interessante é que, à despeito de quaisquer julgamentos pessoais, neste caso, a sociedade parecia impulsioná-lo ao Prêmio Nobel de Literatura. Curioso esse mundo, não? Quais interesses estariam incrustados aí? Ai ai, quem me dera uma máquina do tempo para trazer certos autores aos instantes nossos e descobrir o que eles achariam desse mundo. Será que reescreveriam suas histórias? Será que as mudariam completamente? Será que estariam orgulhosos dos avanços da sociedade? Será que revolucionariam as engrenagens do estado e suas políticas públicas e de direitos humanos? Talvez estejam em outras dimensões convergindo energias construtivas para a mudança dos paradigmas e contribuindo para nossa entrada na Era de Aquário… Tantas possibilidades… Contudo, ainda que mortos, vossos legados atemporais de reflexão permanecem vivos, diria até que mais pulsantes do que nunca.

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Resenha: O Retrato de Dorian Gray

O Retrato de Dorian Gray.

Lembram daquelas coleções que acompanhavam as assinaturas de jornais? Pois, foi assim que tive acesso a esta obra, nos idos de 1999, e lembro que fiquei encantada. Recordo também que só uma ideia me passava pela cabeça “como é possível não filmarem este roteiro com o Jude Law por Dorian Gray?”. E não era só pelo fato dele ser britânico não, mas é que, na minha cabeça, a descrição da personagem havia sido esculpida e encarnada sob a efígie dele. Talvez, isso me tenha repelido à película lançada em 2009, inclusive, nessa época eu, simplesmente, não vislumbrava, não tinha alcance de quem poderia interpretar o Lorde Henry Wotton, para mim, ainda não havia nascido o cara ou, até então, ele ainda não havia alçado voo. Hoje, nos meus mais claros pensamentos ele é o Lorde Henry Wotton – Benedict Cumberbatch.

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Resenha: O Segundo Sexo

Algum motivo especial para trazer esta leitura, Elaine? Será que precisa de um motivo especial para tentarmos entender historicamente o porquê de, ainda hoje, tantas mulheres sofrerem violência física, psicológica ou verbal? Será que precisamos de um motivo especial para entender o porquê de ainda ganharmos aquém dos homens nas mais diversas áreas de trabalho, mesmo realizando as mesmas funções? Será, realmente, necessário entender porque ainda carregamos no inconsciente o peso dos grilhões da submissão e nos deixamos inferiorizar por isso sem gritar um basta? Será tão difícil compreender que, para além da necessidade sexual, a importância da mulher converge, inclusive, ou sobretudo, na pirâmide econômica de um país? Pois, conhecer de onde partiu e quais foram as desbravadoras do mainstream filosófico político econômico é mais do que uma leitura de férias, é uma necessidade, e mais, não apenas para as mulheres, os homens que se valham também precisam atentar para as verdadeiras lutas de classes e saber, exatamente, onde e como precisarão estar. Os tempos podem até ser outros, mas o pragmatismo insidioso ousa reinar, não absoluto, mas renitente; portanto, mais do que nunca a história surge e resiste  para nos manter à salvo da ignorância e da selvageria. Uma ode ao conhecimento!!

O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir.

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Resenha – 1984 – George Orwell

1984 George Orwell..

Algumas vezes me acredito embusteira ao chamar estes encontros de palavrinhas por resenhas. Quem vem aqui buscando detalhes sobre autor e obra, descrição completa dos personagens, resumos, etc e tal, ficará desapontado, pois não faço mais do que expor impressões acerca daquilo que, sob o meu ponto de vista, toca a alma ou indigna a razão. Além do mais, existem diversos blogs, profissionais ou não, que o fazem com tamanha precisão matemática (ou seria vestibulística? Mas, a palavra Vestibular, em Novafala, não está destinada à extinção e será substituída por Enem? Provavelmente, todavia, ainda não estamos em 2050, quando da efetivação da Novafala, inclusive o vestibular também não foi subtraído de todas as universidades/faculdades do país; e outra, 1984 não faz parte dos guias de leituras solicitados, enfim…) e que estão alinhavadamente e tacitamente disponíveis na blogosfera.

Outras tantas vezes fico pensando, vou falar o quê quando o cara já fez um romance caralhudo e me faz parecer a última sobrevivente na fila da criatividade? Então, me apego ao fato de que a vida, ou a versão de realidade de certas pessoas, zilhões de vezes, parece bem mais interessante que a nossa. Depois lembro que, ao menos nesse tempo aí, os caras não recorriam às simulações de felicidade made in photoshop ou às pílulas de realidade entorpecente, vulgo redes sociais, aí suspiro novamente e acredito que a minha insignificância não é de todo produto da nova ordem social. Seria eu, então, uma personagem da revolução de Orwell? Mais uma autômata? Calma, economizem seus tapas na cara de “acorda pra vida”, pois já me dei conta de que sou só mais uma proleta dos tempos modernos que anda com manias de fuga da realidade induzida por universos literários, graças aos céus, infindáveis. Oxalá, meu Deus, por isso!

É, né?, acho que já podemos falar sobre Winston Smith, Júlia, O’Brien … Ai ai ai, eu disse que não descreveria personagens e já estou me contradizendo? Estou pensando em algo e desacreditando ao mesmo tempo? Continuo acreditando naquele algo, mas fingindo que não. Já estou praticando o pensamento-crime, duplipensamento e ainda não sei usar a Novafala? Calma, Elaine, até o final você terá cumprido com os seus estágios de Aprendizado, Compreensão e Aceitação do raciocínio orwelliano.

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Resenha: Admirável Mundo Novo

Ainda durante as aulas comprei o bonitinho das fotos – Admirável Mundo Novo – mais 1984 e esqueci de Fahrenheit 451. São todos do mesmo autor, Elaine? Não!! Mas, parece que são trigêmeos de pais diferentes, pois toda vez que você busca a referência de um, acaba sempre sendo levado aos outros.

Não li nada antes por falta de tempo, então, agora que o tempo se interpôs, porque precisa ser assim, ou você o busca e se relaciona, ou você nunca fará nada, afinal ele não é um produto de vitrine à sua disposição. Assim, começamos os trabalhos com Admirável Mundo Novo porque foi publicado em 1932 e porque eu quis seguir uma ordem cronológica, traçar alguns paralelos, enfim, na minha cabeça a ideia pareceu lógica.

Capa  Admirável Mundo Novo

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