Resenha: A Montanha Mágica

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Era manhã de natal de 2015 quando entrei no site da Cultura para comprar o livro, pois somente eles ofereciam a edição portuguesa, ademais, em todos os outros cantos o livro A Montanha Mágica encontrava-se esgotado. Chegou no dia 04/02/2016, faltando poucos dias para o meu aniversário, todavia, o semestre letivo também estava por começar, então, – JURO! – não arrisquei iniciar para ficar com o gostinho na boca e depois ser obrigada a parar. Não gosto de ler dessa forma. Esperei até 26/11/2016 e, quando estava prestes a subir a montanha, eis que um componente curricular deixava de ter sua inserção na grade letiva de 2017 para ser ofertado como curso de férias em pleno dezembro. Mais uma vez adiávamos o intento.

Um ano depois do nosso flerte, no dia 26/12/2016, pós regresso de viagem do Natal, foi que, finalmente, pude transar as ideias do Mann e conhecer a gangue da montanha, rsrsrrsrs… E foi assim que deu-se a minha saga do tempo em relação ao encontro com Hans Castorp, Joachim ZiemBen, Settembrini, Naphta, Ferge, Wehsal, Madame Chauchat e Peeperkorn, os 7 amigos de passeio, ao longo dos 7 anos de estadia, do nosso querido Hans, no Berghof, passando pelas 7 mesas da sala de jantar, e, enquanto conduzia-nos pelas suas mais inefáveis experiências no interior do quarto de número 34, ou seja, uma derivação do 7.

Escrever sobre este livro é um desafio vulgar e fugaz, pois somente a insolência poderia permitir, dadas as circunstâncias, tal empreitada dando-me condições de não levar tal tarefa tão à sério – pois nos é crível a incapacidade de fazê-lo com o devido zelo e esmero que o autor merece – e realizando-a, tão somente, com singeleza e carinho, com um franco enternecimento, como, aliás, é bastante comum à todos aqueles que dele se aproximam. Assim sendo, sigamos!!

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Resenha: Tonio Kröger

Kröger.

À primeira vista, uma novela insossa. À primeira vista, mas como bem diz o ditado: “águas paradas são profundas”, então, tenhamos muito, muito cuidado com aquilo que se nos apresenta como raso, pois, na verdade, são também nessas águas que encontramos pano pra manga e, quiçá, para revoluções imanentes, cujo poder de mudança age desde a sua fonte no dna, e acaba por eclodir num potencial catártico transcendente ao exterior.

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Resenha: A Morte em Veneza

A morte em Veneza.

Recentemente, reli O Retrato de Dorian Gray e, sincronia ou não?, eis que há pouco termino a leitura de A Morte em Veneza. Apesar de serem histórias diferentes, ambas carregam um contextual parecido, abordam o homossexualismo e demonstram os diversos comportamentos das sociedades perante autor e obra.

Publicado em 1890, o romance O Retrato de Dorian Gray foi duramente criticado, censurado e visto como imoral pela sociedade vitoriana. Oscar Wilde, que foi casado, teve filhos e separou-se para viver as relações que de fato lhe apeteciam a alma, foi condenado e preso por relacionar-se com outros homens. Passa de uma carreira de sucesso estrondoso à uma vida de necessidades sem, contudo, deixar de produzir, ao contrário, ficara mais acurado e perspicaz em sua arte.

Já a novela A Morte em Veneza, lançada em 1912, que também traz um tom de autobiográfico no que tange aos desejos homossexuais do autor, não passou por esse crivo coercitivo. Se o fato de Thomas Mann ter se casado, tido seis filhos, e quem sabe?, ter-se anulado em prol da sociedade, de uma vida de aparências, favoreceu tamanha aceitação, eu não saberia explicar no momento, o fato é que me deixou com uma pulguinha atrás da orelha, até porque sabemos que a política das convenções e conveniências sociais solapam os seres humanos e não é de agora. Entretanto, o que tento observar, é que, se os artistas exprimem suas artes baseados em si e no mundo que os rodeia, também nós, podemos depreender um pouco das vossas dores partindo da leitura das suas ações, produções e comportamentos. Aonde quero chegar com isso? Bom, se havia repressão no ar e se isso castrou alguma fagulha de vida no Mann, o fato é que nem por isso ele deixou de transmiti-la ao mundo, e perceberemos isso do primeiro ao último parágrafo do livro, mas o mais interessante é que, à despeito de quaisquer julgamentos pessoais, neste caso, a sociedade parecia impulsioná-lo ao Prêmio Nobel de Literatura. Curioso esse mundo, não? Quais interesses estariam incrustados aí? Ai ai, quem me dera uma máquina do tempo para trazer certos autores aos instantes nossos e descobrir o que eles achariam desse mundo. Será que reescreveriam suas histórias? Será que as mudariam completamente? Será que estariam orgulhosos dos avanços da sociedade? Será que revolucionariam as engrenagens do estado e suas políticas públicas e de direitos humanos? Talvez estejam em outras dimensões convergindo energias construtivas para a mudança dos paradigmas e contribuindo para nossa entrada na Era de Aquário… Tantas possibilidades… Contudo, ainda que mortos, vossos legados atemporais de reflexão permanecem vivos, diria até que mais pulsantes do que nunca.

Sigamos com a obra!

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