Oceano solitário

 

 

oceano

– Ela está morta? – perguntei.

– Morta? – repetiu a velha senhora de roupão. Ela pareceu ofender-se. – Acha que – disse ela, cuspindo as palavras, como se aquela fosse a única forma de me transmitir a gravidade do que estava dizendo. – Acha que uma Hempstock seria capaz de fazer algo assim tão… comum…?

– Ela está ferida – disse Ginnie Hempstock, aconchegando-me. – Tão ferida quanto pode ficar. Está tão perto da morte que poderá morrer se não fizermos algo a respeito, e rápido. – Um último abraço, e: – Agora vá.

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Nienna

Nienna

Mais poderosa do que Estë é Nienna, irmã dos féanturi, que vive sozinha. Ela conhece a dor da perda e pranteia todos os ferimentos que Arda sofreu pelos estragos provocados por Melkor. Tão imensa era a sua tristeza, à medida que a Música se desenvolvia, que seu canto se transformou em lamento bem antes do final; e o som do lamento mesclou-se aos temas do Mundo antes que ele começasse. Não chora, porém, por si mesma; e quem escutar o que ela diz, aprende a compaixão e a persistência na esperança. Sua morada fica a oeste do Oeste, nos limites do mundo; e ela raramente vem à cidade de Valimar, onde tudo é alegria. Prefere visitar a morada de Mandos, que fica mais perto da sua; e todos os que esperam em Mandos clamam por ela, pois ela traz força ao espírito e transforma a tristeza em sabedoria. As janelas de sua casa olham para fora das muralhas do mundo. (p. 19-20)

 

 

TOLKIEN, JRR. O Silmarillion. São Paulo: Martins Fontes, 2007.